quarta-feira, 18 de junho de 2008

Cheiro do ralo

É possível detectar rapidamente um erro de política econômica. Não é o que ocorre na área social

O economista Náercio Menezes, professor da USP e do Ibmec, descobriu que o uso do computador nas escolas públicas não modifica o desempenho dos alunos. Para ser mais preciso, aqueles com acesso à informática têm nota 0,03 mais alta - ou seja, nada.Para chegar a esse resultado, contrário ao senso comum, ele mergulhou nas notas e no perfil socioeconômico de 218 mil alunos do ensino fundamental e médio espalhados em 5.600 escolas de todas as regiões do país. Do cruzamento de dados apareceu uma série de fatores, devidamente ponderados matematicamente, que ajudam o estudante - entre os principais fatores estão a escolaridade da mãe, ter freqüentado a pré-escola, a existência de livros em casa e o número de aulas por dia. Daí se constatou que a presença dos laboratórios de informática não fazem a diferença. O dado é significativo porque os governantes anunciam planos bilionários para disseminar a informática entre os estudantes, inclusive dando-lhes notebooks. Não significa que o acesso aos computadores seja um investimento irrelevante, muito pelo contrário. Mas será um desperdício se os professores não receberem treinamento e a informática não integrar um plano de ensino - assim como uma biblioteca não fará efeito se os alunos não gostarem de ler. Divulgado na semana passada, o estudo do professor Naércio sinaliza a crescente sofisticação, traduzida em números, para perceber como os recursos públicos são jogados no ralo, devido ao baixo ou nulo impacto.
Na área econômica, as avaliações são rotina. Somos informados todos os dias sobre os níveis de emprego, de inflação, das exportações, das importações, e assim vai. É possível detectar rapidamente um erro de política econômica. Não é o que ocorre na área social. Peguemos os CEUs, tão badalados (e caros), lançados na gestão do PT na Prefeitura de São Paulo e ampliados na atual administração. Os equipamentos são maravilhosos e melhoraram a paisagem da prefeitura, vendidos como uma revolução educacional? Nenhum CEU aparece na lista das 50 melhores escolas municipais, avaliadas pelas notas de português e de matemática; algumas dessas escolas estão localizadas em bairros miseráveis. Pode-se dizer (com alguma razão) que os CEUs ainda não tiveram tempo de mostrar resultados. Mas também não se pode comemorar. O estudo do professor Naércio Menezes traz a inevitável pergunta sobre se aquela mesma verba não produziria notas melhores caso fosse aplicada na ampliação e melhoria da rede de pré-escolas - afinal, os alunos que cursaram a pré-escola, segundo a pesquisa, demonstram melhor desempenho.
Tais números diminuem o "chutômetro" de políticas sociais e deveriam servir para inibir a fúria de inaugurações para fixar a imagem dos governantes. Quando Lula lançou o "Fome Zero", técnicos advertiram que o programa estava sem foco, baseado em dados errados. Pouco tempo depois, saiu uma pesquisa do IBGE indicando que o problema da obesidade é muito mais presente que o da desnutrição. O plano contra a fome, colocado como a prioridade das prioridades, acabou arquivado, jogando dinheiro no ralo. Já o Bolsa Família mostra que, com pouco dinheiro, pode-se diminuir muito mais eficazmente a pobreza e distribuir a renda do que o aumento do salário mínimo. Essas comparações é que, cada vez mais, vão sustentar programas de longo prazo. O governador Sérgio Cabral Filho viu na Colômbia como a gestão integrada de diferentes níveis de governos e departamentos, focada na comunidade, se traduz em redução de gastos e aumento da eficiência. O que explica, em boa parte, como Bogotá e Medellín reduziram tão rapidamente seus níveis de violência. São evidências que influenciaram a decisão do governador de aplicar esse mesmo tipo de integração em zonas de conflitos no Rio, evitando a pulverização administrativa.
Vamos agora a um exemplo de desperdício anunciado. A sofisticação dos métodos para avaliar a relação custo-benefício está radicalmente na contramão de uma decisão de Lula de criar uma televisão pública ao custo de R$ 250 milhões. Nem precisaria nenhum cálculo refinado para perguntar se não seria o caso de fortalecer as emissoras educativas públicas já existentes, todas frágeis, em vez de criar uma concorrente delas. Esse é mais um caso, entre tantos, em que sentimos o cheiro do ralo.
PS- Bem empregado, o computador é um valiosíssimo instrumento para estimular o aprendizado. Tenho visto, dentro e fora do país, as maravilhas da educomunicação - a comunicação aplicada à educação. Descobre-se o encanto de aprender através da produção de vídeos, blogs, fanzines, jornais, fotografias, rádio e televisão. São recursos que ajudam a dar sentido aos conteúdos das salas de aula, estimulam o ensino da língua e desenvolvem a auto-estima do aluno. Separei, no site, experiências, no Brasil, de comprovado sucesso no uso da comunicação para estudantes, algumas delas em fase de disseminação na rede pública.

Coluna originalmente publicada na Folha de S.Paulo, editoria Cotidiano.

terça-feira, 17 de junho de 2008

Mais um...

Necessidades Sexuais (Luis Fernando Verissimo)
Nunca tinha entendido por que as necessidades sexuais dos homens e das mulheres são tão diferentes. E nunca tinha entendido por que os homens pensam com a cabeça e as mulheres com o coração.Uma noite, semana passada, minha mulher e eu estávamos indo para a cama. Bom, começamos a ficar à vontade, fazer carinhos, já estava bastante excitado e nesse momento, ela fala: "Acho que agora não quero, só quero que você me abrace. Me abrace, mas me abrace forte " Eu falei: "O QUEEEEEE??" Ela falou: "Você não sabe se conectar com as minhas necessidades emocionais como mulher".Comecei a pensar onde podia ter falhado. No final, assumi que naquela noite, não ia rolar nada, virei e dormi.No dia seguinte fomos a um grande hipermercado, do tipo Carrefour, com muitas lojas dentro dele. Dei uma volta enquanto ela experimentava três modelitos caríssimos. Como não podia decidir por um ou outro, falei para comprar os três. Então ela me falou que precisava de uns sapatos que combinassem, a R$ 200,00 cada par. Respondi que tudo bem. Depois fomos à seção de joalheria, de onde saiu com uns brincos de diamantes.Estava tão emocionada! Deveria estar pensando que fiquei louco, agora penso que estava me testando quando pediu também uma raquete de tênis, porque nem tênis ela joga.Acredito que acabei com seus esquemas e paradigmas quando falei que sim. Ela estava quase excitada sexualmente depois de tudo isso; Vocês tinham que ver a carinha dela, toda feliz!Quando ela falou: "Vamos passar no caixa para pagar" tive dificuldade para me segurar ao falar com ela: "Não, meu bem, acho que agora não quero comprar tudo isso". Ela ficou pálida. Ainda falei: "Só quero que você me abrace. Me abrace, mas me abrace forte". No momento em que começou a ficar com cara de querer me matar, falei: "Você não sabe se conectar com as minhas necessidades financeiras como homem..."Acredito que o sexo acabou para mim até o natal de 2010...

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Essa é de Veríssimo!! Cômico!!

Cronica de Luis Fernando Verissimo

Aeroporto Santos Dumont, 15:30 . Senti um pequeno mal estar causado por uma cólica intestinal, mas nada que uma urinada ou uma barrigada não aliviasse Mas, atrasado para chegar ao ônibus que me levaria para o Galeão, de onde partiria o vôo para Miami, resolvi segurar as pontas . Afinal de contas são só uns 15 minutos de busão. " Chegando lá, tenho tempo de sobra para dar aquela mijadinha esperta, tranqüilo ." O avião só sairia as 16:30.
Entrando no ônibus, sem sanitários . Senti a primeira contração e tomei consciência de que minha gravidez fecal chegara ao nono mês e que faria um parto de cócoras assim que entrasse no banheiro do aeroporto. Virei para o meu amigo que me acompanhava e, sutil, falei: "Cara, mal posso esperar para chegar na merda do aeroporto porque preciso largar um barro"
Nesse momento, senti um urubu beliscando minha cueca, mas botei a força de vontade para trabalhar e segurei a onda . O ônibus nem tinha começado a andar quando, para meu desespero, uma voz disse pelo alto falante:
"Senhoras e senhores, nossa viagem entre os dois aeroportos levará em torno de 1 hora, devido à obras na pista ." Aí o urubu ficou maluco querendo sair a qualquer custo. Fiz um esforço hercúleo para segurar o trem merda que estava para chegar na estação ânus a qualquer momento. Suava em bicas. Meu amigo percebeu e, como bom amigo que era, aproveitou para tirar um sarro. O alívio provisório veio em forma de bolhas estomacais, indicando que pelo menos por enquanto as coisas tinham se acomodado. Tentava me distrair vendo TV mas só conseguia pensar em um banheiro, não com uma privada, mas com um vaso sanitário tão branco e tão limpo que alguém poderia botar seu almoço nele . E o papel higiênico então: branco e macio, com textura e perfume e, ops, senti um volume almofadado entre meu traseiro e o assento do ônibus e percebi, consternado, que havia cagado .
Um cocô sólido e comprido daqueles que dão orgulho de pai ao seu autor. Daqueles que da vontade de ligar pros amigos e parentes e convidá-los a apreciar na privada . Tão perfeita obra, dava pra expor em uma bienal .
Mas sem dúvida, a situação tava tensa . Olhei para o meu amigo, procurando um pouco de solidariedade, e confessei sério : " Cara, caguei." Quando meu amigo parou de rir, uns cinco minutos depois, aconselhou - me a relaxar, pois agora estava tudo sob controle . " Que se dane, me limpo no aeroporto " - pensei . "Pior que isso não fico ." Mal o ônibus entrou em movimento, a cólica recomeçou forte . Arregalei os olhos, segurei-me na cadeira mas não pude evitar, e sem muita cerimônia ou anunciação, veio a segunda leva de merda . Desta vez, como uma pasta morna.
Foi merda para tudo que e lado, borrando, esquentando e melando a bunda, cueca, barra da camisa, pernas, panturrilha, calças, meias e pés . E mais uma cólica anunciando mais merda, agora líquida, das que queimam o fiofó do freguês ao sair rumo a liberdade . E depois um peido tipo bufa, que eu nem tentei segurar, afinal de contas o que era um peidinho para quem já estava todo cagado . Já o peido seguinte, foi do tipo que pesa . E me caguei pela quarta vez .
Lembrei de um amigo que certa vez estava com tanta caganeira que resolveu botar modess na cueca , mas colocou as linhas adesivas viradas para cima e quando foi tirá-lo levou metade dos pelos do rabo junto . Mas era tarde demais para tal artifício absorvente . Tinha menstruado tanta merda que nem uma bomba de cisterna poderia me ajudar a limpar a sujeirada .
Finalmente cheguei ao aeroporto e saindo apressado com passos curtinhos, supliquei ao meu amigo que apanhasse minha mala no bagageiro do ônibus e a levasse ao sanitário do aeroporto para que eu pudesse trocar de roupas.
Corri ao banheiro e entrando de boxe em boxe, constatei a falta de papel higiênico em todos os cinco . Olhei para cima e blasfemei: "Agora chega, né ?" Entrei no último, sem papel mesmo, e tirei a roupa toda para analisar minha situação (que conclui como sendo o fundo do poço ) e esperar pela minha salvação, com roupas limpinhas e cheirosinhas e com ela uma lufada de dignidade no meu dia .
Meu amigo entrou no banheiro com pressa, tinha feito o " check-in " e ia correndo tentar segurar o vôo . Jogou por cima do boxe o cartão de embarque e uma maleta de mão e saiu antes de qualquer protesto de minha parte . Ele tinha despachado a mala com roupas . Na mala de mão só tinha um pulôver de gola "V". A temperatura em Miami era de aproximadamente 35 graus .
Desesperado comecei a analisar quais de minhas roupas seriam, de algum modo, aproveitáveis . Minha cueca , joguei no lixo . A camisa era história . As calças estavam deploráveis e assim como minhas meias, mudaram de cor tingidas pela merda . Meus sapatos estavam nota 3, numa escala de 1 a 10
Teria que improvisar . A invenção é mãe da necessidade, então transformei uma simples privada em uma magnifica máquina de lavar . Virei a calça do lado avesso, segurei-a pela barra, e mergulhei a parte atingida na água..
Comecei a dar descarga até que o grosso da merda se desprendeu . Estava pronto para embarcar . Saí do banheiro e atravessei o aeroporto em direção ao portão de embarque trajando sapatos sem meias, as calcas do lado avesso e molhadas da cintura ao joelho (não exatamente limpas) e o pulôver gola "V", sem camisa . Mas caminhava com a dignidade de um lorde.
Embarquei no avião, onde todos os passageiros estavam esperando " O RAPAZ QUE ESTAVA NO BANHEIRO" e atravessei todo o corredor até o meu assento, ao lado do meu amigo que sorria . A aeromoça aproximou-se e perguntou se precisava de algo . Eu cheguei a pensar em pedir 120 toalhinhas perfumadas para disfarçar o cheiro de fossa transbordante e uma gilete para cortar os pulsos, mas decidi não pedir: " Nada , obrigado . Eu só queria esquecer este dia de merda !!! "

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Já que hoje é dia dos namorados ...

Estava visitando uns blogs e mais uma vez encontrei esse texto. Acho ele simplesmente lindo! Tomara que vocês gostem!

Crônica de Amor

Ninguém ama outra pessoa pelas qualidades que ela tem. Caso contrário, os honestos, os simpáticos e não-fumantes teriam uma fila de pretendentes batendo à porta. O amor não é chegado a fazer contas, não obedece a razão.

O verdadeiro amor acontece por empatia, por magnetismo, por conjunção estelar. Ninguém ama outra pessoa porque ela é educada, veste-se bem e é fã do Caetano. Isso são só referenciais. Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá, ou pelo tormento que provoca.

Ama-se pelo tom de voz, pela maneira que os olhos piscam, pela fragilidade que se revela quando menos se espera.

Você ama aquela petulante. Você escreveu dúzias de cartas que ela não respondeu, você deu flores que ela deixou a seco. Você gosta de rock e ela de chorinho, você gosta de praia e ela tem alergia a sol, você abomina o Natal e ela detesta o Ano Novo, nem no ódio vocês combinam. Então?

Então que ela tem um jeito de sorrir que o deixa imobilizado, o beijo dela é mais viciante do que LSD, você adora brigar com ela e ela adora implicar com você. Isso tem nome.

Você ama aquele cafajeste. Ele diz que vai e não liga, ele veste o primeiro trapo que encontra no armário. Ele não emplaca uma semana nos empregos, está sempre duro, e é meio galinha. Ele não tem a menor vocação para príncipe encantado, e ainda assim você não consegue despachá-lo.

Quando a mão dele toca na sua nuca, você derrete feito manteiga. Ele toca gaita de boca, adora animais e escreve poemas. Por que você ama este cara?

Não me pergunte. Você é inteligente. Lê livros, revistas, jornais. Gosta dos filmes os irmãos Coen e do Robert Altman, mas sabe que uma boa comédia romântica também tem o seu valor.

É bonita. Seu cabelo nasceu para ser sacudido num comercial de xampu e seu corpo tem todas as curvas no lugar. Independente, emprego fixo, bom saldo no banco. Gosta de viajar, de música, tem loucura por computador e seu fettucine ao pesto é imbatível. Você tem bom humor, não pega no pé de ninguém e adora sexo. Com um currículo desse, criatura, por que diabo está sem um amor?

Ah, o amor, essa raposa. Quem dera o amor não fosse um sentimento, mas uma equação matemática: Eu linda + você inteligente = dois apaixonados.

Não funciona assim.

Amar não requer conhecimento prévio nem consulta ao SPC. Ama-se justamente pelo que o Amor tem de indefinível. Honestos existem aos milhares, generosos tem às pencas, bons motoristas e bons pais de família, tá assim, ó!

Mas ninguém consegue ser do jeito que o amor da sua vida é!

Roberto Freire

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Primeiro dia de curso

Creio que esse dia foi de muita ansiedade para todos, inclusive para mim!!!

Oi!!!!!!

Sejam bem vindos!